Netflix, o Uber do conteúdo?

Quando comecei a faculdade de Audiovisual na ECA/USP sonhava em fazer um filme em película. Não faz tanto tempo, 10 anos apenas. E vi uma revolução diante de meus olhos e permeando minha própria formação. Vi o nascimento do Orkut e do Youtube. Vi quando a Kodak parou de produzir películas. Filmei mais e mais com DSLRs. O mais longe possível do que eu imaginava quando prestei vestibular, meu projeto final de graduação foi um filme interativo para TV Digital: nada de película e muitas horas de programação para chegar ao resultado final. O fato de o usuário ser cada vez mais o centro de toda a cadeia de entretenimento audiovisual sempre foi uma grande questão.

Além da interatividade com o conteúdo e as formas de apropriação e criação de novos símbolos (vide todo o universo transmídia de um Walking Dead ou Star Wars, por exemplo), o que sobressai é a mudança no comportamento do consumidor, que não está mais nem aí para a ultrapassada hegemonia dos grandes veículos de comunicação, com suas grades de programação linear ou editorias não menos suspeitas que qualquer publicação anônima nas redes sociais.

Enquanto escrevo isso, uma matéria no Techmundo acaba de anunciar que a receita da Netflix no último ano foi maior que a da Band e da RedeTV, R$500 milhões. Já não é mais uma tendência, é fato. O interessante é ver as operadoras de TV por assinatura chamando o Netflix, em pleno 2015, de “Uber dos canais por assinatura”, quando o Youtube e os torrents estão por aí há tanto tempo. Talvez seja justamente o fato de que não é mais “coisa de jovem fazendo download pirata” ou “essas coisas de internet” que eu, infelizmente, ainda ouço bastante.

O Netflix, Hulu, Amazon Prime e etc já entenderam muito bem o que têm em mãos e vão ditar as próximas regras do mercado. E as “emissoras de TV” terão que correr atrás e fazer o mea culpa ao perceber, tardiamente, que o core de seu negócio é a produção de conteúdo e não o canal de distribuição. Falei um pouco sobre o processo de digitalização da produção e distribuição de conteúdo que permitiu a ascenção do Netflix e outras plataformas de VOD e, principalmente, sobre como a maneira de consumir esse conteúdo foi radicalmente transformada no artigo publicado na Revista da SET (Sociedade de Engenharia de Televisão), que abre o espaço para os pesquisadores da EraTransmidia. Veja mais aqui (página 94)

http://bancadigital.maven.com.br/pub/revistaset/?numero=151

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